Flavio, Ana, "Português e Jorge.

Tão tradicional quanto a congada e outras representações da cultura caiçara, cortar o cabelo no “Salão do Português” faz parte da vida de muitos moradores de São Sebastião. É que os homens que chegam para receber o serviço com o barbeiro Luiz Coelho da Vera Cruz – ele não gosta de ser chamado de cabeleireiro – são sempre bem recebidos com café, clima familiar e bom papo, como se estivessem na sala de casa assistindo à televisão com um pai, tio ou avô. De fato é assim: o televisor digital sempre está ligado com foco no noticiário ou esportes, preferencialmente.

As novas instalações do salão Atlântico, na rua Cidade de Santos, região central, coroam uma história de aproximadamente 50 anos dedicados a essa profissão, que começou logo quando Luiz chegou ao Brasil, e hoje, aos 76 anos, o patriarca da família, que nasceu no dia 15 de agosto de 1940, comemora a trajetória de sucesso. “Se Deus permitir, vou cortar cabelo até o fim dos meus dias”, diz ele. Para seguir nesse ofício, conta com a ajuda dos filhos Flávio e Jorge, que também são profissionais da área de corte masculino. Além deles, a filha Cliviane auxilia nos cortes dos homens. Ana, outra filha, é responsável pelo setor feminino do salão. “Mas a maioria dos nossos clientes são homens”, explica Ana. “E meu pai fica nervoso quando não corta”, completa a filha.

“Português”, como é conhecido, veio sozinho para o país, vindo da Ilha da Madeira a bordo do navio Vera Cruz, chegando ao Porto de Santos em 15 de dezembro de 1959. Com as lembranças um pouco embaralhadas, sotaque ainda muito forte, muita informação e fala rápida, não soube explicar com clareza os motivos que o fizeram atravessar o oceano Atlântico. Mas disse que veio procurar seu pai, que teria falecido em Santos.

Disse que fez “muitas outras coisas”, já nas terras tupiniquins, antes de começar a atuar profissionalmente como barbeiro, sua grande paixão. De lá para cá, desbravou caminhos no Litoral Norte, sendo o barbeiro mais antigo de São Sebastião. Em 2014, como forma de reconhecimento, recebeu título de cidadão sebastianense da Câmara Municipal.

Antes de São Sebastião, trabalhou em Ilhabela, morou em Caraguatatuba, no bairro Porto Novo, onde conheceu sua esposa Siderlei Rocha da Vera Cruz, 74 anos. Mudou para São Sebastião em 1967, ano da enchente que devastou Caraguá.

E São Sebastião o acolheu. Não saiu mais do município. Manteve salões de barbearia em diferentes pontos da cidade, um dos mais antigos ,onde ficou cerca de três décadas, foi no shopping Pierotti, que, segundo ele, inaugurou a convite do próprio Mansueto Pierotti, que foi prefeito do município, seu cliente e amigo. “Ele [o Mansueto] que pediu para dar o nome Atlântico para o salão”, contou ao portal SãoSebá.com.

Com o passar do tempo, o salão recebe praticamente toda a população do município, entre eles nomes importantes da política, como o vereador Reis e o atual prefeito Felipe Augusto.

(Por: Marcello Veríssimo)

Foto: Acervo da família.