Da esquerda para a direita: Valma, Elizabeth, Cida, Tatiana, Maria José e Vanessa. No colo: Mike.

Elas são unidas pelo mesmo objetivo: o amor aos animais. Protetoras independentes, mas que atuam juntas para melhorar as condições de vida de cães e gatos errantes, além daqueles criados por famílias que, muitas vezes, por não possuir condições de manter a posse responsável, acabam abandonando os bichos nas ruas, terrenos baldios e outros locais ermos pelas cidades da região.

Entre as principais ferramentas que ajudam nessa luta, as redes sociais são fundamentais na troca de informações sobre paradeiro, condições de saúde, pedidos de ajuda, divulgação geral do trabalho, realização de eventos, como feirinhas de adoção, entre outros assuntos. No Litoral Norte, mais precisamente em Caraguatatuba, existem diversas iniciativas em benefício desta causa. Em São Sebastião, há cerca de um ano, a pedagoga Vanessa Soares e a instrutora de autoescola Tatiana Viola criaram a fanpage “Anjos de Quatro Patas”, bem como um grupo em aplicativos de troca de mensagem no celular.  Desde então, já ajudaram centenas de animais a encontrar um novo lar, com amor e boas condições de vida. “O Facebook é fundamental para a realização do nosso trabalho. Na divulgação, para todo mundo ver”, diz Tatiana, que, como ela mesma define, é “apaixonada por cachorros”.

Junto com Tatiana, Vanessa tem auxiliado na busca por recursos para continuar com o projeto e por interessados em adotar os animais, sempre que surge um novo “órfão”. Uma das estratégias da dupla foi deixar uma caixa bem sinalizada, em uma casa de ração conhecida, na região central do município, para recolher diferentes tipos de produtos relacionados aos animais, como, por exemplo, medicamentos e ração. Além disso, elas contam ainda com uma parceria com dois veterinários do centro, que ajudam nos diagnósticos e procedimentos, caso exista a necessidade de cirurgia, exames ou outros tipos de tratamento. A recompensa vem em forma de felicidade no olhar de Vanessa e Tatiana, ao falarem dos cães, como no caso da cadelinha vira-lata Nina, resgatada há cerca de um mês no bairro São Francisco. Ela foi castrada, recupera-se da doença do carrapato e, nos próximos dias, deve passar por operação em uma das patas. “Se ela [Nina] tivesse ficado na rua, teria morrido”, diz Vanessa. Nina, agora, aguarda em um lar temporário, até se restabelecer totalmente. “Cada um ajuda um pouco, e estamos abertos a pessoas que tenham interesse em cuidar dos animais”, completa Vanessa, que, a cada novo caso, sempre posta tanto na sua página pessoal no Facebook, como na página do projeto, que já conta com mais de 800 seguidores. “São vários momentos bons, como no resgate do Lord, um vira-lata misturado com labrador, que resgatamos na Topolândia, muito magro; acompanhamos sua melhora”, diz Tatiana. “Vimos ele engordar, alimentamos, demos medicação, passeamos e, com a graça de Deus, foi adotado em Caraguá”, emenda Vanessa. Lord foi adotado durante uma feira de adoção, em outubro do ano passado.

Protetores do Litoral Norte –Protetoras independentes que ajudam umas às outras. Assim, essas mulheres integram o time dos Protetores do Litoral Norte, que também utilizam um grupo no aplicativo de mensagens no celular para realizar o trabalho. Embora seja formado por maioria de mulheres, homens marcam presença na iniciativa. O grupo reúne cerca de 40 pessoas. O SãoSebá.com conversou com algumas delas, além de Vanessa e Tatiana: a dona de casa Cida Barroso, a bibliotecária Maria José, a bióloga Elizabeth Smith, e a cuidadora de animais Valma Costa. Todas concordam que uma das alternativas mais sensatas para o controle da superpopulação de animais errantes, que já é uma realidade no litoral, é a castração contínua e de forma acessível. “Quem ama, castra”, diz Vanessa.

Para Valma, a castração pública e o bem viver animal deveriam ser prioridade entre os governos municipais, assim como acontece com políticos de outras esferas, como o deputado federal Ricardo Tripoli, que apoia essa causa. “O gestor inteligente tem que cuidar dos animais”, diz ela, que mudou da capital paulista para o litoral há aproximadamente dois anos.

Assim como as companheiras, Valma também coleciona histórias emocionantes, como  quando foi chamada para resgatar três filhotes de gatos, que viviam com a mãe, em uma árvore dentro do batalhão da Polícia Militar, em Caraguatatuba. “Um deles tinha apenas um dia de vida”, diz Valma. “Estão sendo cuidados até terem condições de irem para adoção”. Ela também diz que, durante o trabalho, já encontrou “colônias de gatos” nas ruas, com aproximadamente 60 gatinhos abandonados à própria sorte.   

Outro aspecto da superpopulação animal, que é unanimidade entre as protetoras dos bichos, é que, além da castração, seja utilizado o procedimento de “chipagem”, ou seja, colocar um tipo de chip nos cães, para que sejam monitorados durante a vida. Do tamanho de um grão de arroz, a peça, conhecida por transponder, que se popularizou como microchip, é composta por uma cápsula de biovidro, o mesmo material utilizado no marcapasso humano.  

Cida Barroso, que mora no litoral há aproximadamente 11 anos, mas faz este trabalho há quase 30, conta que já viu diversos casos de crueldade contra cães e gatos na região. Atuando em Caraguatatuba, hoje ela diz que não precisa mais sair para procurar os cães, por receber denúncias dos casos de maus tratos e de bichos em situação de risco. Uma das áreas críticas, apontadas por Cida, fica na estrada do Rio Claro, na região do CDP (Centro de Detenção Provisória), no bairro Porto Novo. “As pessoas param o carro ali, e jogam os cães, que ficam perambulando. É muito triste”, ela diz. Além deste local, existem casos também no Poiares, Tinga e outros bairros. O que elas percebem, durante a realização do trabalho, é que, em média, o número de animais abandonados varia muito conforme o local.    

Enquanto não contam com a ajuda do Poder Público, o grupo orienta que, ao encontrar um animal abandonado na rua, deve ficar atento a três ações imediatas: primeiro, levar ao médico veterinário para fazer exame de sangue e constatar  seu estado de saúde; depois, realizar o tratamento, que inclui, entre outros aspectos físicos, cuidar também do emocional, “educar o cão ou o gato”, diz Cida; por fim, procurar exercer a adoção responsável. “Que é educar o dono”, completa a protetora.

Simultaneamente à ação de cada um, o grupo de protetores também realiza campanhas em parceria com clínicas veterinárias, para mudar o atual quadro de abandono dos animais errantes. “Por conta disso [do trabalho realizado pelo grupo], acham que o protetor tem algum poder de mudar o destino do animal, mas não”, contam. Elas ainda explicam que são uma espécie de ponte para intermediar o contato do interessado em adotar com os especialistas. “Contatamos as clínicas, pedimos ajuda, tentamos conseguir descontos, facilidades, mas o pagamento dos serviços prestados é feito diretamente com os veterinários ou com as ONG’s”. De acordo com Cida, recentemente, realizaram campanha de saúde animal em parceria com a Clínica Vet Caiçara, sendo realizados exames de sangue, e o veterinário cedeu 50 vacinas importadas para os animais adotados por famílias de baixo poder aquisitivo.

Feiras de Adoção – Nas feiras de adoção, o grupo incentiva a posse responsável e o maior acesso à castração. “Com a castração, as pessoas têm que se conscientizar que diminui o abandono, diminui tudo”. Os interessados são orientados a assinar um termo de adoção, além de receber diversas informações sobre como realizar a posse responsável. Entre os serviços oferecidos pela feira, a consulta com uma adestradora de cães, que dura cerca de uma hora, ensinando noções básicas de adestramento aos novos donos e preparando os animais para o novo lar.

As feiras de adoção geralmente são realizadas em locais com grande aglomeração de pessoas. Até agora foram realizadas somente em Caraguatatuba. A próxima vai acontecer no dia 29 deste mês, das 9h às 16h, em frente à clínica Vet Caiçara, na avenida Duque de Caxias, número 671, bairro Praia das Palmeiras, em Caraguá. Para adotar de forma responsável, é preciso levar os documentos pessoais – RG e CPF, além de um comprovante de residência. A intenção do grupo de protetores é realizar  uma destas feiras de ação em São Sebastião. No município, a ONG Companhia das Patas, conhecida pela atuação com os animais em situação de risco, colabora com a iniciativa.

Para saber mais sobre o trabalho dos protetores, ligue (12) 3888-3096/ (12) 98146-2743/(12) 98123-4323/ (12) 99115-0323          

(Por Marcello Veríssimo)
Foto: Marcello Veríssimo e Divulgação