Trabalhadores de diferentes categorias da região integram hoje o contingente de profissionais que participam do Dia de Greve Geral nacional, que mobiliza milhões de pessoas contra a aprovação das reformas previdenciária e trabalhista do Governo Federal. Em São Sebastião, o ato contrário à medida começou cedo, por volta das 6h30, na portaria principal da Petrobrás/Transpetro, no Porto Grande. A empresa teve todas as portarias fechadas. No município, a manifestação foi organizada pelo Comitê do Litoral Norte Contra a Reforma Trabalhista e Previdenciária, que reúne 16 entidades, entre sindicatos de classe, associações e movimentos sociais. Cerca de 200 trabalhadores aderiram ao movimento na manhã desta sexta-feira (28/04). De acordo com os sindicalistas, em Caraguatatuba foi realizada manifestação semelhante, na altura da ponte do arco, no Porto Novo.

Durante o ato, acompanhado de perto pelas polícias Militar e Rodoviária, Guarda Municipal e Divisão de Tráfego, os manifestantes tentaram bloquear as duas vias da avenida Guarda-mor  Lobo Viana, sem sucesso, mas permaneceram ocupando a faixa da direita, no sentido centro. Houve lentidão no trânsito e um princípio de tumulto com a informação de que, caso tentassem ocupar toda a avenida, a polícia teria de intervir. A informação não foi confirmada pela PM, e a manifestação continuou.

Enquanto permaneceram parados na frente da portaria principal da Petrobras, os manifestantes seguravam cartazes e faixas com palavras de ordem e slogans que ficaram conhecidos pelos brasileiros, como “Nenhum direito a menos” e “Não adianta remendar, as reformas não vão passar”.

Para Aguinaldo Rodrigues da Silva, diretor do Sindaport (Sindicato dos Portuários) de Santos, que também atua em São Sebastião,  a manifestação contra a reforma é legítima e a única ferramenta de luta do trabalhador “para fazer o governo recuar com essa medida”.

Além dos portuários, o sindicato dos arrumadores de São Sebastião, entidade que reúne os trabalhadores responsáveis pelo armazenamento, arrumação e ajuste de cargas antes de embarcar, também participou da manifestação. “Se todos os trabalhadores aderirem, vamos conseguir mudar o rumo disso [aprovação das reformas]. Muitos trabalhadores estão descontentes, esses políticos não têm moral para decidir o futuro dos brasileiros”, disse o presidente do sindicato, Juan Francisco de Oliveira. Ainda entre os trabalhadores do porto, também participaram os sindicatos dos estivadores e dos conferentes.

A presidente do Sindicato dos Professores de Escolas Municipais do Guarujá e Região, Joanice Gonçalves, disse que, se a reforma passar, os trabalhadores perderão direitos essenciais, como a aposentadoria especial, entre outros. “É uma loucura o que esse governo está fazendo. Por isso estamos na rua contra esse massacre contra o trabalhador”.

Em apoio à greve geral, o Sindserv (Sindicato dos Servidores Municipais) fechou a sede nesta sexta-feira. Os funcionários da entidade participam do movimento. A presidente da entidade, Audrei Guatura, disse que o sindicato faz parte do Comitê do Litoral Norte, e que as reformas, se aprovadas, atingirão a todos.

João Paulo, vice-presidente do Sintricom (Sindicato da Construção Civil e Montadores Industriais) de São José dos Campos e Litoral Norte, disse que a reforma é um retrocesso de mais de 70 anos. “Já somos escravos do capital; vamos ficar ainda mais, com a retirada dos direitos dos trabalhadores”. Cerca de 25 sindicalizados do setor participaram do ato.

Já a jornalista Priscila Siqueira afirmou que participa do ato contra as reformas por pensar “no todo”. Segundo ela, se as condições de trabalho, que já são difíceis, mudarem com relação ao tempo de contribuição para a previdência, pode piorar a situação do país. “Quanto mais pobreza, mais violência”, analisou.

O vereador Gleivison Gaspar, que também é professor, marcou presença entre os manifestantes. “Também estou aqui [na manifestação] pela educação, pelos meus colegas, pais e alunos. Tem de existir a manifestação para mostrarmos que o país não gostou da proposta. Se a gente não manifestar agora que somos jovens, como faz?”, disse ele. “Vamos lá na frente, depois, quando o corpo não responder mais, tentar buscar os nossos direitos?”.

(Por Marcello Veríssimo)
Fotos: Marcello Veríssimo