Num determinado leito de um determinado hospital, um determinado paciente está com um gravíssimo edema cerebral. Tal paciente está sendo tratado por um médico que, além dos dez anos de faculdade e de residência, possui mais algumas décadas de prática. Esse médico está prestes a decidir o tratamento a ser adotado, consistente na craniotomia descompressiva bifrontal. Você (seja ou não um médico) não leu nem uma linha da ficha clínica daquele paciente. Mesmo assim, gostaria de saber sua opinião: o tratamento a ser adotado deve, mesmo, ser a craniotomia descompressiva bifrontal?
Então…qual a sua opinião?
Imagino que a quase totalidade responderá que não é médico, não tendo, por consequência, condições técnicas de opinar. Imagino que os leitores médicos deixarão de dar uma opinião, em razão de não conhecerem a ficha clínica do paciente. Imagino, por fim, que todos resolveremos deixar a decisão a cargo daquele médico com décadas de janela.
Por que, então, todos…todos se acham no direito de dar pitaco, quando o assunto se refere ao Direito? A grande maioria dessas pessoas não possui nenhum conhecimento jurídico; aliás, não conhecem quase nada…de nada. Mesmo assim – repetindo o que os grandes meios de comunicação ditam – emitem suas “opiniões” com uma firmeza digna de um jurista brilhante. E vale acrescentar que os profissionais desses meios de comunicação também não sabem nada de Direito, aliás, quase nada…de nada.
Por que quase todos acham que são juristas?
Por que quase todos acreditam piamente no que a grande imprensa dita?
A resposta é esta: porque quase todos ignoram quase tudo; porque quase todos pensam que a História começou hoje de manhã.
Mais uma vez: tudo começa (ou pelo menos deveria começar) pela Educação.
É triste…


por: Odair Bruzos