Seja no mundo judaico, seja no mundo cristão, a Páscoa sempre representou a passagem para uma Vida mais plena. Consta, aliás, que essa comemoração teria origem nas festas pagãs do início da Primavera, no Hemisfério Norte.
Na Primavera, a Vida ressurge, brilha, desabrocha.
Na saída da escravidão, após a morte dos primogênitos do Egito, os judeus caminharam em direção à Liberdade, à Esperança, à Vida, enfim.
A ressurreição de Jesus, por sua vez, nada mais representa do que o alcançar a Vida Plena em sua expressão mais extraordinária.
Em todos esses casos, o que se festeja é a passagem para a Vida, Vida pulsante, Vida Plena, plenitude que resulta de nossa escolha pelo que verdadeiramente importa: o Amor.
Aliás, a Vida Plena não vem de nossa escolha pelo Amor, mas da nossa percepção de que só o Amor existe. Vem de nossa percepção de que temos o maior presente, o maior milagre, a maior bênção, a maior realização que existe: a Vida. Vem de nossa aceitação sem reservas de que nossa Vida é o máximo!
Crer, acreditar, ter fé no Amor não basta. Crer, acreditar, ter fé nada significam…
Enquanto não sentirmos, mas sentirmos, mesmo, lá do fundo de nosso Ser, que somos Reis, continuaremos mendigando em busca do que já temos de sobra. Sim, temos o maior tesouro de todos os reinos: a Vida. Pena que aceitemos que ela seja espiritualmente pobre, pequena, apagada, sem cor, tensa, triste, mesquinha…
Assim como a Natureza faz chegar a Primavera, cheia de novas cores, de novos odores, assim como os judeus deram seus passos no caminho em direção à Liberdade, assim como Jesus escalou os pregos da cruz em busca da Eternidade, assim também nós podemos – e devemos – caminhar rumo à Vida Plena.
Li, outro dia, num resumo de tudo que tantos já ensinaram, que só podemos levar uma coisa deste Mundo: a nossa capacidade de amar.
Se o Amor é a única e última realidade da Vida, e se o Amor só pode existir quando de fato amamos, só nos resta uma coisa a fazer: amar mais, hoje, do que amamos ontem.
Em vez disso, estamos sempre tentando acumular ilusões, como o dinheiro, a fama, o poder, o sucesso do ego. É um processo maluco… Um exemplo dessa maluquice: grande parte da Humanidade respeita Buda ou Jesus. Um era príncipe, mas terminou pedindo esmolas. O outro acabou numa cruz. Os dois seriam considerados, pelos critérios de nossa sociedade, exemplos gritantes de fracasso. Mas a Humanidade diz (finge?) respeitá-los… Isso não é loucura?
É para nos despertar dessa loucura que existe a Páscoa.
A Páscoa não nos convida à Vida Plena, só nos lembra de que já a temos.

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