Uma avenida, um nome, uma história. Guarda-mor Lobo Viana, que nomeia a avenida mais importante da cidade, no trecho urbano da Rodovia Rio-Santos (SP-55) em São Sebastião, revela história de vida cheia de nuances entre passado, presente e, quem sabe, futuro de um personagem importante do nosso município.
José Lobo Viana Junior nasceu em São Sebastião, no dia 16 de março de 1859, filho de família tradicional do município. Como a maioria dos sebastianenses, na época foi morar em Santos para buscar melhores condições de vida – era um tempo que a maior parte da população caiçara local sobrevivia da pesca artesanal – onde acabou se tornando guarda-mor da alfândega na maior cidade da Baixada Santista, no litoral sul de São Paulo.
De acordo com a Divisão de Patrimônio Histórico da Prefeitura de São Sebastião, a indicação de seu nome para a rua ocorreu por influência de seu filho, Jaime Lobo Viana, que era casado com a irmã do então deputado estadual Lincon F. Da Silva, ambos muito influentes na região. Em um período em que os prefeitos eram nomeados, conseguiu “eleger” o prefeito Armando Datino (1941 a 1945), recebendo como recompensa o nome de seu pai dado à avenida, que passa atualmente ao lado da sede da Petrobras, no município.
Informações de moradores antigos de São Sebastião, que não quiseram se identificar, dão conta de que José Lobo Viana Junior – o guarda-mor Lobo Viana – foi um homem muito influente junto aos políticos no início do século XX. Ele acompanhou a visita de Altino Arantes, então governador do Estado de São Paulo (1916 a 1920). “Se hoje existe o Porto de São Sebastião, e a cidade cresceu, tudo começou ali”, apontam caiçaras mais antigos, ouvidos pela nossa reportagem.
Não existe confirmação aparente sobre a indicação do nome de José Lobo Viana Junior, o guarda Mor Lobo Viana, para a principal avenida da região central da cidade, segundo a apuração feita pelo portal SãoSebá.com. “Não sei ao certo a história, mas ele foi muito conceituado junto à Alfândega brasileira, no tempo em que atuava em Santos, inclusive tem até um busto dele no prédio de Santos. Talvez pela família ter origem em São Sebastião, ele tenha sido homenageado com o nome da avenida”, disse, por mensagem no “Facebook”, o bisneto de José, Kal Lobo Viana, que hoje mora fora de São Sebastião. “Quem tinha toda a história dele era meu falecido pai”, completa o bisneto sobre a informação que consta em documentos da Divisão de Patrimônio Histórico do município.
Parte do acervo do guarda-mor Lobo Viana hoje está disponível na Fundamar (Fundação do Mar), no Balneário dos Trabalhadores. Entre as peças, 4 mil livros que compunham a biblioteca pessoal de José Lobo Viana. Os livros foram doados pela família à entidade. “Nos desfizemos de tudo aí [em São Sebastião], há uns 10 anos não vou ao município”, disse o sobrinho de Kal e tataraneto do guarda-mor, Eduardo Lobo Viana, que atualmente mora em São Paulo.
Ainda segundo os integrantes da geração atual da família, que são netos e bisnetos, os 13 irmãos do guarda-mor e sua esposa Olga já morreram. E atualmente nenhum parente vivo mora na cidade. Um imóvel que era da família, no bairro Arrastão, na esquina da rua onde hoje funciona o “Shopping Vila Mares”, bem em frente à praia, também foi vendido.
(por: Marcello Veríssimo)
Fotografia: reprodução obtida junto à Divisão de Patrimônio Histórico da Prefeitura de São Sebastião. (Do acervo de G. Stanzione)


SABER NUNCA É DEMAIS:

1 – A grafia correta do nome do cargo ocupado por Lobo Viana, segundo busca no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, disponível na Academia Brasileira de Letras, é:
guarda-mor s.m.; pl. guardas-mores
Para acessar a pesquisa: http://www.academia.org.br/nossa-lingua/busca-no-vocabulario

2 – Realmente, de 10/11/1937 a 02/12/1945, no período denominado “Estado Novo”, sob o comando de Getúlio Vargas, não ocorreram eleições no Brasil.  Confira em um documento dos arquivos da Justiça Eleitoral (CLIQUE AQUI)