Dono original da Imagem: D Sharon Pruitt.

Direto do Túnel do Tempo, um texto escrito em 26/02/2013 e publicado no saudosíssimo diário “Imprensa Livre”.

É impressionante como quatro palavras podem mudar tudo. Podem acabar com uma amizade antiga, podem causar sustos de risco para cardíacos, podem esvaziar o bolso de qualquer um.
O palco varia: pode ser uma oficina mecânica, a sala de sua casa cheia de goteiras, uma alfaiataria. As personagens são: você e uma pessoa que você conhece há algum tempo, seu amigo ou amigo de um amigo. O enredo é simples: você leva seu carro para consertar, ou traz um pedreiro para avaliar as goteiras do telhado, ou pede para uma costureira fazer alguns ajustes na sua roupa.
O ponto alto da tragédia acontece quando você pergunta o preço do serviço. Nesse exato instante, surgem aquelas quatro fatídicas palavras:
“Depois a gente vê!”
Você insiste, mas o seu interlocutor repete aquelas palavras, às vezes acrescentando outras: “deixa comigo!”; “não esquenta a cabeça”. E, realmente, você vai acabar deixando com ele muito mais dinheiro do que imaginava… E sua cabeça também vai esquentar de raiva.
São muitos os exemplos de palavras perigosas. O que dizer, por exemplo, do “volto logo”? Ou dos famosos “já tô indo” ou “tô chegando”? Na prática, não representam nada em termos de tempo. Seus conceitos são extremamente elásticos. Conheço várias pessoas que, mal acabaram de sair de São Paulo, conseguem dizer, com a maior cara lavada, para alguém que telefona do Litoral Norte: “tô chegando”.
As palavras mais perigosas, porém, principalmente quando proferidas em uma discussão entre marido e mulher, são as famosas: nunca, sempre, tudo, nada. Funcionam como jogar gasolina sobre uma fogueira.
Nessas horas, talvez o melhor seja apelar: “vou dar uma saída e volto logo”!