A principal via pública de Maresias, que passa pela badalada praia de mesmo nome, na costa sul de São Sebastião, chama-se Avenida Francisco Loup. O personagem que dá nome a essa via possui uma história de amor e serviço social dedicada ao município que, para ser conhecida, é preciso fazer uma espécie de viagem no tempo. Trata-se da trajetória de vida do carioca Francisco de Castro Rebello Loup, que nasceu em 3 de março de 1892.

O portal SãoSebá.com entrou na máquina do tempo em busca das respostas para montar esse quebra-cabeça. Contou com a ajuda dos integrantes da família ainda vivos, entre eles a filha de Francisco, Maria Aparecida de Loup Hartog, a dona Cida Hartog, que completará 71 anos no próximo mês de abril. Recebeu nossa equipe para um bate-papo e relembrar alguns momentos importantes na vida de seu pai. “Ele atuou em várias cidades do estado de São Paulo, como delegado de polícia, antes de chegar em São Sebastião, como Taubaté e Mococa”, disse Cida. Loup foi delegado no distrito local, por volta da década de 50.
Além de Cida, Francisco, que casou com a caiçara Nancy de Moura Loup, de família nativa de Maresias, também foi pai de Francisco Loup Filho. Loup pai faleceu no mês de setembro de 1961, em Santos, na Baixada Santista.

Na ocasião do falecimento, em 31 de outubro de 1961, o conselho deliberativo do time carioca Fluminense Futebol Clube emitiu nota de condolências à família, lamentando a morte de Francisco Loup. O documento, ao qual o portal SãoSebá.Com teve acesso, foi assinado por Alair Accioli Antunes, então presidente do conselho. “Rogando-lhes a fineza de aceitar as nossas sentidas condolências, aproveito o ensejo para apresentar-lhes os protestos de consideração e apreço”, diz um trecho da nota.

Antes de chegar em São Sebastião, Cida conta que o pai trabalhou no jornal Correio da Manhã e jogou no Fluminense Esporte Clube, ambos no Rio de Janeiro. “Papai rodou o país todo”, disse ela, que resumiu os fatos importantes de que se recorda em uma caderneta de anotações.

Sobrinho de dona Cida, filho de Francisco Loup Filho e neto de Francisco Loup, o advogado Luis Augusto Loup, que mora em São João da Boa Vista, na região de Campinas, interior de São Paulo, conta que o tio, antes de assumir como delegado, também trabalhou como promotor no Ministério Publico de São Paulo. “Ele ajudava muito as pessoas do bairro [de Maresias]. Fez um trabalho social muito grande”, disse Augusto. Justamente por isso é que, segundo eles, o prefeito Décio Galvão, por volta de 1983, resolveu prestar uma homenagem, concedendo o nome Francisco Loup à avenida mais importante do bairro. “Foi uma homenagem ao trabalho social e na segurança feito por ele. Ele atendia todo mundo que precisasse de sua ajuda”, completou o sobrinho.

“Ele era um delegado muito estimado pela população do bairro, uma educação primorosa, excelente pessoa. Falava francês fluentemente, tão bem quanto falava a língua portuguesa”, enfatiza a sobrinha de dona Nancy, mulher de Francisco, Neyme de Moura Cençi, hoje com 84 anos, professora aposentada pela rede pública do estado de São Paulo. “Me fazia ler o jornal todos os dias. Um profundo conhecedor da gramática”, ela recorda.

O pai de Francisco Loup foi um dos fundadores da Companhia Docas de Santos. Francisco Loup e Nancy de Moura Loup casaram-se em 1938. Em 1939, nasceu Francisco Loup Filho, irmão de Dona Cida Loup Hartog. A sobrinha Neyme não lembra com detalhes tudo o que aconteceu naquela época, como, por exemplo, o dia exato em que Francisco faleceu. “Sei que foi próximo ao feriado da Semana da Pátria, morava em São Paulo e fui até Santos para participar do enterro”, disse. “Ele merece essa homenagem [a avenida receber seu nome]; está marcado na história para sempre”.

Meses após sua morte o Correio da Manhã publicou uma crônica com o título “Chico Loup”, documentando o registro do falecimento de Francisco na cidade de Santos. Nela, o jornal conta a passagem do Chico pela redação do Correio, em 1919. “Sua atuação nesta casa não sofreu restrição do ponto de vista de sua honestidade profissional”, disse o jornal.

Procurado, o empresário Décio Galvão, prefeito na época, frisou que o nome de Francisco Loup foi dado à principal via de Maresias como uma homenagem a uma pessoa ilustre, que prestou ótimos serviços ao município, tendo sido muito querido na região

(Por Marcello Veríssimo e Odair Bruzos)

Fotos: Acervo da Família.