Bem antes de ser político, Gleivison Gaspar, ou somente professor Gleivison, foi um jovem politizado, “sempre envolvido com assuntos do grêmio escolar”, como ele próprio diz. Talvez um presságio, um estágio, aprendizado para realizar sua trajetória política como vereador na Câmara Municipal de São Sebastião. Teoricamente já no terceiro mandato – ele começou como suplente, assumindo a cadeira da ex-vereadora Solange,de Maresias, em 2008 – foi eleito pelo voto direto nas últimas eleições, escolhido por exatamente 3.183 eleitores, quase 8% dos votos válidos em todo o Litoral Norte. “O resultado do nosso trabalho foi refletido nas urnas”, diz ele, que ingressou na carreira político-partidária incentivado pelos amigos, ex-prefeito Juan Garcia e o empresário Fábio Merlin, proprietário de unidades escolares  onde Gaspar leciona como professor de Língua Portuguesa.

Seu trabalho bem realizado conquistou a população, gerou credibilidade e confiança, chegando ao seu auge na última votação. Para o vereador, esta também se deveu ao fato de sempre manter sua postura, focalizando sua atuação naquilo em que acredita. “Principalmente na luta contra qualquer tipo de injustiça: contra pessoas e segmentos sociais, toda covardia com pessoas mais humildes, idosos, me atinge”, defende o vereador, que cumpriu mandatos de 2008 a 2012 e de 2013 a 2016.

O reflexo de sua atuação na política pode ser conferido nas redes sociais. Seus três perfis oficiais no Facebook e uma fanpage acumulam aproximadamente 25 mil pessoas, entre amigos e seguidores. É difícil mensurar o alcance do trabalho de divulgação feito nas redes, mas, segundo o vereador, determinadas postagens já atingiram cerca de 50 mil curtidas e visualizações de vídeos. “A rede social é a ferramenta deste século”, diz, acrescentando que, com certeza, a proximidade com o eleitor por meio das redes sociais colaborou para sua reeleição. “Quando você dá carinho, só pode receber carinho de volta”.

Entre os setores em que busca melhorias, em meio ao cenário de crise que o país atravessa, estão Educação, Cultura, Esporte e Emprego. “O país vai sair dessa crise, e São Sebastião, por si só, também possui condições de vencer qualquer crise”.

O Professor e a “tia” – Antes de ser político, Gleivison Gaspar é professor. Já disse, em diversas declarações aos jornalistas, que pode deixar a política, mas não sai da sala de aula. “Sou um apaixonado pela Língua Portuguesa. Gosto de ensinar, do universo da escola, olhar caderno, dessa relação de respeito que existe entre professor e aluno; quando estou adoentado, por exemplo, peço silêncio, e eles [os alunos] respeitam, não escuto um barulho em sala. Sinto que nasci para isso [dar aula]”, explica.

Parte da sua bem-sucedida trajetória, dentro da sala de aula e na política, vem do fato de que Gleivison Gaspar sempre manteve firme e abertamente sua autenticidade como pessoa. É o que é, da mesma forma, por todos os lugares por onde passa, sem problemas para lidar com sua orientação sexual, o que não muda nada na vida de ninguém. “Quando a pessoa se aceita, tem uma família que a aceita – no meu caso, se resume a minha mãe – o resto do mundo vira fichinha”, diz ele.

Apesar de saber que o preconceito ainda existe, Gleivison diz que hoje São Sebastião “está mais liberal, está mudando, com vários homossexuais bem-sucedidos profissionalmente, bem resolvidos e respeitados, que não devem nada para ninguém”. “Sei que culturalmente contribuí, de alguma forma, para chegarmos nesse estágio, com a minha coluna no extinto jornal Imprensa Livre, no qual sempre escrevi abertamente, falando sobre Língua Portuguesa, utilizando termos e nomes com referência aos LGBT’s, me chamando de ‘tia’, por exemplo”. Gaspar escreveu por 10 anos no antigo e único jornal diário do Litoral Norte de São Paulo.

Presente e Futuro – Vencedor. Talvez esta seja a melhor forma para definir Gleivison Gaspar. É que ele também enfrentou e venceu preconceitos durante sua carreira na política em São Sebastião. O mais recente deles foi durante o último Carnaval, quando publicou nas redes sociais mensagem dizendo que foi questionado sobre sua participação no desfile do Bloco dos Sujos, tradicional bloco carnavalesco do município, em que homens desfilam vestidos de mulher e vice-versa, na noite do sábado da folia. “Ah, mas você não pode sair no Bloco dos Sujos… vai se expor.. As pessoas vão falar.. Desculpe, mas os que gostam de mim e me respeitam fazem questão de eu continuar verdadeiro! ‘Mamãe, eu quero’, com pose de brucutu e flash de autoridade? Cruzes!”, diz a postagem, em 24 de fevereiro, que obteve 866 reações no Facebook.

Gleivison diz que já fez e continuará fazendo a sua parte. Sobre uma possível candidatura à prefeitura, nas eleições municipais em 2020, considera que, o que conta, “é o melhor para São Sebastião”.

(Por: Marcello Veríssimo)

Foto: Marcello Veríssimo