Existem pequenos prazeres cotidianos que a internet ainda não é capaz de proporcionar. O toque no papel, folhear um jornal, revista ou qualquer outro produto editorial impresso é talvez o principal deles. Para muita gente, a comodidade dos leitores de livros digitais, como o Kindle, não substitui o prazer da leitura de uma obra impressa, nem o de sujar as mãos com a tinta do papel jornal.

Por este aspecto, a Gráfica Tufi, primeira e única gráfica em São Sebastião, instalada há aproximadamente 45 anos no mesmo ponto, na rua Capitão Luiz Soares, Centro, segue firme, executando serviços de impressão em geral. “A internet afetou cerca de 10% dos nossos negócios, mas o impresso vai continuar”, diz o empresário Wagner Mariano Cubas, 56, proprietário da Tufi, que faz “qualquer tipo de impresso, incluindo jornal”, diz ele.

De fato, o cardápio de opções é grande. Os serviços, executados em máquinas gráficas offset, incluem cartões de visita, calendários, panfletos, notas fiscais, flyers, folders, carimbos em vários modelos, entre outros. “O cliente dá a ideia, a arte, e nós fazemos”.

A Gráfica Tufi é um negócio de família, que começou com o avô de Wagner, Antenor Gomes Mariano, dono da antiga Tipografia São Sebastião. “Na época, a cidade era bem precária. Nossa família se estabeleceu aqui [vieram de Duartina, no interior de São Paulo, já bem próximo da divisa com o Paraná] chamados pelos donos da rede Garça, do supermercado Garça, que também são de lá [daquela região]”, explica Cubas. “Foram os primeiros clientes do meu avô, por volta de 1968”, ele completa.

De lá para cá, o negócio prosperou e, em 1978, passou a se chamar Gráfica Tufi. “Somos a primeira e única gráfica do município. Muitos tentaram nesse tempo, nós persistimos”, diz ele, apostando que a persistência é um dos diferenciais do seu trabalho.

Hoje Wagner lidera uma equipe de sete funcionários, entre eles o impressor Márcio Aparecido Chaves da Silva, formado pela escola do Senai, em São Paulo. “Fiz Senai para isso [trabalhar com impressão], mas hoje faço de tudo um pouco”, diz Chaves, que veio da Capital para trabalhar no litoral , inicialmente em Caraguatatuba, depois em São Sebastião. “Aqui fiz grandes amigos, tenho qualidade de vida”.

Márcio integra um contingente profissional de cerca de 277 mil empregados diretos no setor gráfico do país, de acordo com estudo setorial feito pelo Sebrae, em parceria com a Associação Brasileira da Indústria Gráfica, pela primeira vez em 2009. Desse montante de trabalhadores, os números mostram que a região Norte é a recordista em rotatividade na estrutura trabalhista no setor, com 46,1%, seguida pela região Sul, com 45%, a região Centro-Oeste, com 42%, e o Sudeste, com 35%. Nessa estrutura, as gráficas comerciais lideram com 98%, cerca de 19 mil empresas espalhadas pelo território nacional. Gráficas religiosas são 0,7% (142); sindicais, 0,6% (122); gráficas públicas/oficiais, 0,5% (101). Na época do estudo, o total de empresas chegava a 20.195.

O estudo mostra, ainda, um panorama amplo do setor no país, que, entre outros pontos, faturou R$ 23 bilhões naquele ano e consumiu 6,52 milhões de toneladas de papel.

Economia – Assim como a maioria dos brasileiros, Wagner Cubas torce para que o país supere esse atual momento de crise. No caso de São Sebastião, ele considera que uma das alternativas para girar a economia do município seja esta: “os munícipes, de um modo geral, prestigiarem o comércio e serviços da cidade, para que nossas divisas fiquem aqui”, argumenta.

Como parâmetro bem próximo, Wagner cita o exemplo de Caraguatatuba, maior cidade da região e considerada a “capital” do Litoral Norte. “Caraguá está melhor, pois o morador de lá gasta lá, os turistas gastam lá, o que aquece a economia de alguma forma, passando a gerar recursos. Já a população daqui [de São Sebastião] ganha aqui e, muitas vezes, gasta fora”.

(Por Marcello Veríssimo)
Foto: Marcello Veríssimo