Mais um dia: 03/11/2016 – Edição n° 15

Dizem que todo ser humano, para ter uma existência plena, deve plantar uma árvore, deixar uma descendência e escrever um livro. Concordo, mas penso que também deve deixar um resumo da própria essência para os sobreviventes à sua morte: um epitáfio. Eis o meu:
Há três tipos de déspotas:
O que tiraniza o corpo: O Príncipe;
O que tiraniza a alma: O Papa;
E o que tiraniza o corpo e a alma: O Povo.
(Oscar Wilde)
Nunca fui príncipe.
Nunca fui Papa.
Nunca fui povo.
Nunca fui, aliás.
Fluí.
Nesse fluir, busquei deixar rastros de um anelo que
(Odair Bruzos)
Por Odair Bruzos. Publicado na edição 458 da Revista Ria (https://riarevista.com.br/100palavras) de 25/03/2017
Mais um dia: 02/11/2026 – Edição n° 14

Começamos a morrer, quando damos nossa primeira respiração. A partir dela, renascemos a cada respiração, até que chega a última. Tudo isso pode ter o nome de vida ou Vida. Uma vida nada mais é que o caminho traçado horizontalmente da maternidade ao cemitério. Só conseguimos trilhar esse caminho sem ficarmos loucos, porque temos a crença de que somos imortais, de que nunca chegaremos ao seu final, de que, depois do cemitério, a vida continuará. Já a Vida verdadeira consiste na percepção (lembrança!) de que somos a Eternidade, num aprofundamento vertical de aquis e agoras: já somos tudo que buscamos.
Por Odair Bruzos. Publicado na edição 685 da Revista Ria (https://riarevista.com.br/100palavras) de 08/04/2023

